Algo ou alguém passa por mim e me segreda ao ouvido...Seu movimento é tão rápido que torna imperceptível a sua mensagem...imagino, formo uma espiral de pensamentos para tentar desvendar o que me foi dito....não consigo perceber....E eis que ouço novamente, trazido pelo vento o som das palavras, que formam uma frase, que se grava na mente e ecoa lenta e compassadamente.
Tudo neste som que me foi sussurrado me parece familiar, mas continuo a não conseguir entender o seu significado, o seu propósito….
Questiono se este som não estará sim a vir de dentro para fora, se não terá sido formado e concebido dentro do ser que sou eu e não se contendo neste invólucro temporal que é o corpo, explodiu como que um grito de revolta e alerta, para despertar os sentidos que se encontravam latentes ou simplesmente distraídos de tudo o que os rodeava…
Agora envolto por esta névoa de sons, tento perceber o que devo conservar e nutrir e o que é dispensável e ignóbil….Tento nesta espiral de sons e palavras agarrar o que me é familiar ao tacto, pois tenho saudade do toque destas palavras, destes sons que me envolveram e extasiaram todo o meu ser….
Era algo que estava perto e ao mesmo tempo longe, presente e ausente, como as ondas do mar que vão e vêm num contínuo intemporal e compassado….
quarta-feira, 17 de junho de 2009
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