Tantas vezes tinha imaginado esta situação, do possível reencontro, da nova cedência do seu corpo e de todo o seu espiríto.
Vezes sem conta acreditou que estava segura de si, que já tinha percorrido aquele caminho e superado todos os obstáculos que constantemente a faziam cair em estados letárgicos de saudade e desespero.
Teve outras relações, inúmeras até, em que procurou sempre reencontrar com outros homens tudo o que havia experienciado antes só com aquele.
Entrou numa expiral de consumo carnal,meramente fisíco, quase como uma autómata que procurava o prazer para viver.
Até que um dia que tinha mitificado aquela relação, que não se conseguia livrar daquele sentimento doentio porque tinha colocado erradamente aquele sujeito num pedestal inalcançável a qualquer outro.
Consciente desse seu erro, decidiu parar de procurar algo que na realidade não existia.Refreou o seu desejo de procurar em cada amante um grande amor, em cada corpo uma experiência inolvidável e transcendente que acabasse com a dor que sentia.
Percebeu que ainda não tinha feito o luto daquela relação que tanto a consumiu e que de forma tão súbita acabou.
Foi isso que a libertou, o facto de ter parado, de se ter encontrado consigo mesma, ter aberto os olhos para outro mundo que a rodeava e que tão boas sensações lhe poderia proporcionar, sem que tivesse que se entregar totalmente a ele.
Foi isso que a fez seguir em frente, não olhar para trás para confrontar a fragância que lhe era tão familiar e que por momentos quase que fez desmoronar tudo o que tinha conquistado até esse dia.
Se no seu pensamento mais intimo tinha deixado uma pequena fresta para que o passado pudesse um dia voltar a entrar, a partir daquele momento teve a completa certeza que tinha encerrado de vez esse ciclo da sua vida....
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